Juros do Financiamento Imobiliário: Como São Calculados e Como Pagar Menos

Os juros são o principal componente do custo de um financiamento imobiliário — mas a maioria das pessoas não sabe exatamente como eles são calculados, o que compõe a taxa e por que o total pago ao final é tão maior que o valor financiado. Este artigo explica a mecânica com exemplos práticos.
O que compõe a taxa de juros do financiamento?
A taxa que o banco anuncia não é o único custo. O financiamento imobiliário tem quatro componentes que somados formam o CET (Custo Efetivo Total):
- Juros nominais: a taxa contratada (ex: 10,5% a.a. na Caixa pelo SBPE)
- TR (Taxa Referencial): correção monetária aplicada mensalmente sobre o saldo devedor
- MIP (Morte e Invalidez Permanente): seguro obrigatório, calculado sobre o saldo devedor
- DFI (Dano Físico ao Imóvel): seguro obrigatório, calculado sobre o valor do imóvel
Como os juros são aplicados mês a mês
Os juros incidem sobre o saldo devedor do mês. No início do financiamento, o saldo é alto — então os juros representam a maior parte da parcela. Conforme o saldo cai (via amortização), os juros diminuem. Por isso os primeiros anos são os mais caros em termos de proporção de juros.
Exemplo: financiamento de R$ 400.000 a 10,5% a.a. por 30 anos. Na primeira parcela (SAC), os juros são R$ 3.500 sobre a parcela total de R$ 4.800. Após 10 anos, o saldo caiu para ~R$ 290.000 e os juros da parcela são ~R$ 2.537.
Diferença entre SAC e Price nos juros
Os dois sistemas aplicam a mesma taxa sobre o saldo devedor. A diferença está no ritmo de amortização:
- SAC: amortização constante. O saldo cai mais rápido, então os juros totais pagos ao longo do contrato são menores. Parcelas iniciais maiores, parcelas finais menores.
- Price: parcela fixa, mas a amortização é baixa no início (a maior parte da parcela são juros). O saldo devedor cai mais lentamente, resultando em mais juros totais pagos.
Taxas praticadas pelos principais bancos em 2026
| Banco | Modalidade | Taxa (a.a.) — Faixa | Observação |
|---|---|---|---|
| Caixa (SBPE) | SAC ou Price | 10,49% – 12,00% | Varia por perfil e domicílio bancário |
| Caixa (MCMV Faixa 2) | SAC | 5,50% – 7,00% | Renda até R$ 4.400; subsídio incluso |
| Caixa (MCMV Faixa 3) | SAC | 7,66% – 8,16% | Renda até R$ 8.000 |
| Santander | SAC ou Price | 10,99% – 12,49% | Desconto para conta Santander |
| Itaú | SAC ou Price | 10,50% – 12,00% | Varia por relacionamento |
| Bradesco | SAC ou Price | 10,99% – 12,50% | Varia por relacionamento |
| Banco do Brasil | SAC ou Price | 10,50% – 11,80% | Desconto para servidores públicos |
Como pagar menos juros no financiamento
- Escolha SAC em vez de Price: amortiza o saldo mais rápido, reduzindo a base de cálculo dos juros
- Dê entrada maior: reduz o saldo financiado e, consequentemente, os juros totais
- Faça amortizações extras com FGTS ou dinheiro disponível: reduzir o saldo antecipadamente corta juros futuros
- Compare o CET de diferentes bancos: uma diferença de 0,5% a.a. em R$ 300.000 por 30 anos representa ~R$ 35.000
- Use portabilidade se encontrar taxa menor depois de contratar
- Migre o salário para o banco do financiamento: a Caixa desconta até 0,5% a.a. com domicílio bancário

André Carvalho
Engenheiro de Software especialista em sistemas distribuídos e escalabilidade. Desenvolveu este simulador para trazer transparência financeira ao mercado imobiliário brasileiro.
Conheça meu trabalho →Perguntas Frequentes
A TR pode subir muito e aumentar minhas parcelas?
A TR está zerada ou muito próxima de zero desde 2018, mas ela pode subir se o Banco Central elevar a Selic significativamente. Historicamente, mesmo nos picos da TR (2013-2015), o impacto mensal foi pequeno — mas em contratos longos pode acumular. Financiamentos pelo IPCA (indexados à inflação) têm risco maior de oscilação.
Qual a diferença entre taxa nominal e taxa efetiva?
A taxa nominal é o percentual de juros puro contratado (ex: 10,5% a.a.). A taxa efetiva considera a capitalização mensal, que na prática resulta em um percentual ligeiramente maior. O CET vai além: inclui seguros e demais encargos. Para comparar propostas, use sempre o CET anual.
Juros de financiamento imobiliário são dedutíveis do IR?
Não. Pessoas físicas não podem deduzir juros de financiamento imobiliário do Imposto de Renda no Brasil. A exceção é o programa Minha Casa Minha Vida com dedução específica em algumas situações — consulte um contador para seu caso.
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